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Morador da Babilônia vive de brownieria criada há três anos

Aos 27 anos, Flávio Mourão consegue se sustentar com os doces que ele mesmo faz e oferece pelas ruas do Rio

Flávio vende seus doces pelas ruas da Zona Sul do Rio
Flávio vende seus doces pelas ruas da Zona Sul do Rio -
Para o empreendedor Flávio Mourão, de 27 anos, a vida não poderia estar mais doce desde que abriu uma brownieria há três anos. Graças aos doces que ele mesmo faz e vende, o morador do Morro da Babilônia, no Leme, consegue se sustentar na comunidade da Zona Sul.
Prestes a completar 28 anos, no dia 6 de dezembro, Flávio chega a faturar R$ 2,5 mil por mês com os brownies, palhas italianas, cookies e bolos confeitados que oferece pelas ruas do Rio. O valor é suficiente para que ele pague o aluguel da casa onde mora e arque com outras despesas.
"Eu trabalhava em uma loja oficial do Botafogo e vendia muito, mas percebi que o fruto do meu trabalho ia basicamente para o dono. Foi quando resolvi sair e investir no meu próprio negócio", relembra Flávio.
O morador da Babilônia criou a própria marca, a Brownieria Leme (@brownierialeme). Para pôr a mão na massa, literalmente, ele se lembrou de uma receita que havia visto na Internet para preparar os seus doces. 
"Eu fui adaptando essa receita ao meu forno e à textura da massa que eu queria. Fui substituindo alguns ingredientes e deixando tudo no meu estilo", conta, dizendo que estava "predestinado" a trabalhar com brownies, porque o primeiro doce que fez na vida saiu como deveria.

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Antes, os doces eram vendidos em estabelecimentos do bairro Arquivo Pessoal
O empreendedor tem até um selo próprio Arquivo Pessoal
Flávio vende seus doces pelas ruas da Zona Sul do Rio Lucas Sampaio/Divulgação
Inicialmente, Flávio apenas fornecia os seus brownies para algumas bancas de jornais e uma lanchonete do Leme. Mas a loja acabou fechando por causa da pandemia. E com o movimento fraco das bancas, ele teve que arregaçar as mangas e oferecer pessoalmente seus doces nas ruas.
"Aos poucos, fui aprendendo a abordar o público e perdi a vergonha. Hoje, vendo em toda a orla de Copacabana, do Leme ao Forte, e também na Mureta da Urca", comemora.
PENSANDO NO PRÓXIMO
Além de ter que sair às ruas para vender as guloseimas para se sustentar, Flávio não esquece de outros moradores de comunidades da cidade. Juntamente com o amigo Vinícius Leme, 27 (@docurasdovini), que também vende doces, mas em Piedade, na Zona Norte, o empreendedor tem uma projeto de doação de cestas básicas.
"É uma forma que a gente tem de ajudar a sociedade. A gente pegar uma parte do nosso lucro e comprar comida para as pessoas", conta.
A ideia do morador da Babilônia é formar uma rede de empreendedores que consiga atuar em várias áreas carentes do Rio. Ele já pensa em ajudar moradores da própria comunidade, do Morro Chapéu-Mangueira, ainda no Leme, e da Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana.
"A gente começou a perceber que não adianta pensar apenas em nós mesmos, mas sim em toda a sociedade. O maior bem para a sociedade é matar a fome das pessoas", defende.

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