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'Precisamos de direitos básicos', pede coletivo do Morro dos Macacos

Colunista convidado desta semana enxerga como fracassada a chamada guerra às droga

Vitor Bernardo nasceu e foi criado na comunidade onde atua
Vitor Bernardo nasceu e foi criado na comunidade onde atua -
Meu nome é Vitor Bernardo, sou nascido e criado no Morro dos Macacos, formado em Direito e cofundador do Coletivo Macacos Vive, uma mídia alternativa que busca empoderar a nossa comunidade com acesso a informações que impactam a nossa realidade, para evidenciar e fortalecer ações positivas, tanto sociais como culturais da nossa favela. O coletivo também busca ser uma voz de protesto com denúncias sobre arbitrariedades praticadas pelo Poder Público em nosso território.
Não há como falar que a favela venceu com tanta desigualdade, falta de oportunidade, garantias de direitos fundamentais, assassinatos, encarceramento em massa e uma geopolítica que utiliza as comunidades mais pobres como local de combate da fracassada "guerra às drogas".
Após sofrer violência institucional com apenas de 18 anos e fazer parte da estatística de jovens negros, pobres, de áreas conflagradas e periféricas que são jogados indevidamente no sistema carcerário, passei a estudar um pouco mais a nossa história e os motivos que nos tornam vulneráveis.
Notei que na nossa comunidade, como na história do nosso povo, sempre fomos vítimas das políticas públicas ou da falta delas, mas, principalmente, constatei que o proibicionismo não tem sido eficaz. Ele acaba potencializando a violência, fomentando o genocídio da juventude negra. Sem falar que essa política é lucrativa para as clínicas de reabilitação terapêuticas, para as indústrias químicas, bélicas e farmacêuticas, contribui para um moralismos político-religioso e evidencia um racismo estrutural.
Sendo assim, acredito que no Morro dos Macacos não precisamos de política de segurança pública para solucionar os problemas existentes de um lugar tão maravilhoso. Necessitamos de política de saúde pública, educação de qualidade, profissionalização dos jovens que vivem na ociosidade, lonas culturais, esporte, saneamento básico, inclusão social, oportunidades, lazer e, principalmente, garantia de direitos básicos.
* O texto é de responsabilidade do autor

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